Aí que ontem, às tantas da noite, ao lado desse irmão da vida que é o
Delfim, parei para a saideira no
Mandala, na
Siqueira Campos.
O
Mandala, onde eu só havia estado uma única vez, também para a(s) saideira(s), é um botequim estupendo: fétido, apertado, desconhecido, de uma integridade absoluta.
A
Antarctica, cuja garrafa estava esbranquiçada, doía na garganta de tão gelada e nós, de pé junto ao balcão, fomos - de repente e por alguns segundos - jogados no mais inocente passado, aquele de sons da infância, de palavras ditas por avôs e que tais.
Foi quando nossos olhos toparam com o singelo cartaz, colado na parede, se não me engano escrito à mão, através do qual o bar, solícito, oferecia mais um serviço ao freguês: "Trocamos os seus vasilhames".
Vejam só que maravilha, meus amigos: va-si-lha-mes.
Por um instante, senti-me de volta a meus 4 ou 5 anos - quando não existia esse negócio de pet e, para se comprar garrafas de bebidas no bar ou no mercado, ainda era preciso levar outras, vazias, para trocá-las pelos vasilhames (ou cascos, como também se chamavam) cheios.
O que não faz um boteco de verdade com o coração da gente,
né não,
Delfo?